CRÍTICA | Branca de Neve, de Marc Webb (Snow White, 2025)
- Henrique Debski

- 1 de abr. de 2025
- 3 min de leitura
Branca de Neve está longe de um filme intragável, mas se conforma em ser apenas um live-action genérico e sem vida.

Desde quando foi anunciado, muitos já torciam o nariz para um live-action de Branca de Neve. Com razão, tenho de concordar, e sobretudo sou crítico essa recente onda de refilmagens, readaptações e live-actions, com base em obras e projetos que já deram certo no passado, na medida em que revelam uma acentuada crise de criatividade nos estúdios de Hollywood, que acabam por rejeitar ou abandonar projetos originais para focar sempre naquelas mesmas histórias, investindo milhões de dólares naquilo que já conhecemos, apenas como forma de lucrar facilmente em cima de algo que já deu certo e se mantém armazenado com bons sentimentos em nossos corações.
No entanto, existe uma diferença entre criticar a ideia de refilmagens e live-actions, e essa cultura caça-níquel dos estúdios, e xingar o filme em si sem nem tê-lo visto – e muitos tem feito justamente isso, apenas a partir dos trailers divulgados e o material promocional.
De fato, toda essa narrativa que os produtores tentaram vender no entorno de Branca de Neve como uma readaptação da história clássica é pura falácia, e acabou como um verdadeiro tiro no pé, somando-se às demais polêmicas, como os anões de CGI e o próprio elenco, esse alvo de ataques injustificados. Ainda que acreditassem que a obra original estivesse datada, a suposta nova roupagem dada, com a ausência de um príncipe encantado e um ar mais autodeterminado à protagonista acabam, na prática, sem fazer qualquer diferença, enquanto os caminhos são quase os mesmos – por vezes modificados para pior - e chegam às mesmíssimas conclusões, quando ainda subsiste um parceiro romântico (mas agora um rebelde/ladrão), e toda a cadeia de eventos que levam a personagem a enfrentar a madrasta se mantém, entre causa e consequência, mas dessa vez, ao contrário da animação, com direito a um ato final que desafia a inteligência do espectador em meio à conveniências e a suspensão da descrença, até mesmo para um filme de fantasia.
E, verdade seja dita, o problema do filme está longe de serem essas alterações pontuais, que durante boa parte do tempo mal fazem cócegas ao material base; e nem tampouco os trabalhos de Rachel Zegler – ainda que lhe falte carisma para uma Branca de Neve mais cativante – e Gal Gadot – cujas limitações enquanto atriz não atrapalham tanto a construção de sua personagem, que apenas perde o ar ameaçador que deveria ter.
O que estamos diante, na verdade, é de um live-action que não sabe e nem parece se interessar em oferecer algo novo à Branca de Neve. É basicamente um filme que repete, indiretamente, o plano a plano da animação de 1937, apenas estendendo-se ao acrescentar algumas novas músicas e promover alterações pontuais em detalhes, que supostamente o transformariam em uma obra “mais progressista”.
Mas os problemas vão além disso. A direção de Marc Webb, ainda que vez ou outra se esforce para propor algo diferente, está evidentemente amarrada a um estúdio que não oferta qualquer liberdade criativa ao realizador, preso aquela cartilha já desgastada dos blockbusters recentes, apáticos enquanto fantasia, sem saber valorizar ou aproveitar os ambientes ao redor, todos construídos através de computação gráfica e filmados em frente a uma tela azul, que muitas vezes deixa o próprio elenco desconfortável ou descrente na composição de seus personagens – sem contar com os sete anões também gerados digitalmente, com quem Zagler contracena durante boa parte do filme.
A própria fotografia sem cor, assinada pela talentosa Mandy Walker, certamente também amarrada pelo estúdio, tira a vida que aquele universo mágico, de conto de fadas, deveria ter. Parece que, assim, aqueles que deveriam acreditar no mundo fantástico (leia-se, os produtores) não acreditam de verdade, e contaminam todo o restante da produção.
Dessa forma, esse live-action de Branca de Neve não é tão horrível como tem-se vendido e falado, sobretudo por muitas pessoas que sequer assistiram o filme, mas ainda assim não encontra uma razão para ser, senão um meio de ganhar dinheiro sem muito esforço criativo, enquanto não oferece nada de novo à obra original, e nem muito menos um diferencial para que assim seja lembrada, apenas matando cada um dos elementos que a tornavam especial, sobretudo na ausência de crença na fantasia, cujos elementos genéricos apenas replicam o óbvio, e já tantas vezes trabalhado nos últimos 88 anos.
Avaliação: 2/5
Branca de Neve (Snow White, 2025)
Direção: Marc Webb
Roteiro: Erin Cressida Wilson
Gênero: Aventura, Fantasia, Musical
Origem: EUA
Duração: 109 minutos (1h49)
Disponível: Cinemas
Sinopse: A princesa Branca de Neve foge do castelo quando a Rainha Má, com ciúmes de sua beleza, tenta matá-la. Nas profundezas da floresta escura, ela encontra sete anões mágicos e um jovem ladrão. Juntos, lutam para sobreviver à perseguição implacável da Rainha e aspiram a recuperar o reino. (Fonte: TMDB - Adaptado)



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