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CRÍTICA | Corra que a Polícia Vem Aí!, de Akiva Schaffer (The Naked Gun, 2025)

  • Foto do escritor: Henrique Debski
    Henrique Debski
  • 21 de ago. de 2025
  • 4 min de leitura

Sob nova direção, o retorno de Corra que a Polícia Vem Aí mantém vivo o humor do trio ZAZ, e atualiza a fórmula da franquia para uma comédia de ação metalinguística, mas ainda assim absurda.


 

Quando foi anunciado, já há algum tempo, que a Paramount trabalhava em uma nova versão de Corra que a Polícia Vem Aí, não nego que, como um fã dos longas originais, fiquei preocupado. Para além de um estilo de humor relativamente difícil de trabalhar nos tempos atuais, a recente escassez de comédias no cinema, somado ao fato de Liam Neeson como protagonista, parecia fazer deste projeto um grande “tudo ou nada” – seria brilhante, ou uma enorme tragédia.

 

Mais até do que isso, os rumos do filme nas bilheterias são também um indicativo do interesse do público no gênero comédia, e no próprio estilo de humor, que sofre de uma falta de boas obras desde Todo Mundo em Pânico 4 (2006) assinado por David Zucker, um dos responsáveis pela popularização dessas comédias “nonsense”, nos anos 1980, com Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu, ao lado de Jim Abrahams e Jerry Zucker, e também criador e diretor da franquia original de Corra que a Polícia Vem Aí; ainda que com certo respiro posterior para Super-Heróis: O Filme (2008) e Inatividade Paranormal, 1 e 2 (2013/2014).

 

Para a felicidade dos amantes desse estilo de filme, podemos ficar tranquilos, pois além da boa repercussão nas bilheterias norte-americanas, sabemos que é possível contar com cineastas criativos, como Akiva Schaffer, no reviver do humor absurdo. Mais do que uma nova versão, esse novo Corra que a Polícia Vem Aí se aproveita, oportunamente, da popularização das sequências-legado para estabelecer-se no mesmo universo da trilogia original, e prestar suas homenagens e referências aos antigos personagens, quando agora acompanhamos seus filhos assumindo os mantos. Não que isso de fato seja de grande importância, pois a narrativa em si, enquanto paródia, é um mero pano de fundo no qual se estabelecem piadas a todo momento, em todos os planos da imagem possíveis.

 

Enquanto, por exemplo, dois personagens falam absurdos em primeiro plano, em um diálogo sem pé nem cabeça, algo ainda mais estranho acontece no fundo da cena, em segundo plano, e novamente acompanhado por alguma bizarrice maior em um ponto onde quase já não enxergamos, ainda mais ao fundo. É claro que nem sempre todas as piadas funcionam – até porque são muitas disparadas ao mesmo tempo, como uma grande metralhadora –, mas é suficiente para, vez ou outra, nos deixar sem ar, com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo.

 

Da mesma maneira que consegue reproduzir o ritmo frenético de humor, o roteiro de Dan Gregor, Doug Mand e Akiva Schaffer busca por uma reinvenção da obra, sob o escopo de um filme sério, e genérico, do lado dos antagonistas, e ao mesmo tempo metalinguístico na maneira como constrói e enfrenta a ameaça (a escalação de Danny Huston como vilão não foi à toa), escancarando muitas vezes o texto nas entrelinhas (como o dispositivo roubado na cena inicial, chamado de “Plot Device”). Da mesma forma, também insere sutis críticas autoconscientes à própria atuação policial, nunca se eximindo ou mesmo sendo condescendente às atitudes tomadas pelos personagens enquanto se excedem no cumprimento do dever, ainda que brinque, ainda mais, com o próprio ar corrupto de toda uma administração municipal.

 

Em meio ao plano do antagonista que nos remete à Kingsman, e as soluções encontradas pelos protagonistas que chegam à Missão: Impossível, o filme não apenas se inspira nos melhores longas de ação recentes como também não se esquece de se desenrolar como um filme de ação propriamente, com coreografias criativas, que novamente se adequam muito bem ao seu próprio humor.

 

Tudo isso fica ainda melhor quando o mesmo fenômeno que ocorrera com o mestre Leslie Nielsen no passado (de um ator de drama tornando-se cômico), se manifesta, novamente, agora com Liam Neeson, um ator dramático que se reencontrou na ação, e agora, por sua vez, se reinventa na comédia – e exatamente pelos mesmos motivos, ao conseguir manter a seriedade – e até mesmo ir além, com seu tom sombrio, enquanto protagoniza situações surreais e sem qualquer sentido, nitidamente engraçadas. Da mesma maneira, Pamela Anderson, dando seguimento ao seu retorno à Hollywood, também assume muito bem o papel que outrora fora assumido por Priscilla Presley, um par romântico divertido, e com química.

 

Dessa maneira, a nova versão de Corra que a Polícia Vem Aí atualiza a franquia para os dias atuais, sem perder seu timing cômico, ou mesmo seu estilo, e ainda reinventa a própria fórmula, através da metalinguagem, do humor crítico, e se assumindo como um filme de ação, abraçando as próprias referências em meio às piadas aleatórias disparadas a todo momento, enquanto prova mais da versatilidade de Liam Neeson como ator de comédia, e alavanca o retorno de Pamela Anderson ao cinema. Confesso que gostaria de conhecer dos planos de David Zucker para o retorno de sua franquia, mas fico feliz por estarmos diante da nova visão oferecida por Akiva Schaffer e sua equipe, como um respiro, e retorno do cinema de comédia nonsense e às paródias. Que venha, agora, Todo Mundo em Pânico 6 para coroar esse novo respiro ao subgênero.

 

Avaliação: 4.5/5

 

Direção: Akiva Schaffer

Roteiro: Dan Gregor, Doug Mand e Akiva Schaffer

Gênero: Comédia, Ação

Origem: EUA, Canadá

Duração: 85 minutos (1h25)

Disponível: Cinemas

 

Sinopse: Frank Drebin Jr. segue os passos do pai ao integrar o Esquadrão de Polícia e tentar salvar o mundo, com muita confusão e trapalhadas pelo caminho.

 
 
 

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