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CRÍTICA | Muito Esforçado – 1ª Temporada, de Benito Skinner (Overcompensating, 2025)

  • Foto do escritor: Henrique Debski
    Henrique Debski
  • 24 de jul. de 2025
  • 4 min de leitura

Usando como referência o cinema besteirol dos anos 2000, em Muito Esforçado Benito Skinner abraça o estilo em divertida jornada queer de autodescobrimento.


 

A partir de um ar saudosista em relação às comédias universitárias norte-americanas dos anos 2000, o ator Benito Skinner fez de Muito Esforçado uma oportunidade de subverter grande parte das ideias e valores defendidos por produções clássicas da época, como a franquia American Pie e outras, incluindo seus clones, nesse mesmo estilo, sob o manto de uma comédia jovem-adulta voltada à temática queer.

 

Baseando-se nas próprias experiências, e em especial em sua vida universitária, o protagonista Benny, vivido pelo próprio Skinner, depois de um ensino médio popular como jogador de futebol americano, chega à universidade, e precisa decidir se irá aproveitar a oportunidade de estar em um ambiente novo, longe dos conhecidos e da própria família, para explorar e conhecer mais de si e da própria sexualidade, ou trilhar o caminho mais conservador e “tradicional”, esforçando para ser quem não é – algo que já fez ao longo de toda sua adolescência - e fazer o que tanto seus pais quanto colegas esperam.

 

Essa jornada de autodescobrimento, que apenas se inicia nesta primeira temporada de Muito Esforçado, fica envolta em uma teia de personagens, da melhor amiga dos primeiros dias de aula, que eventualmente avança para algo mais; a irmã de Benny, e seu namorado tóxico; e até o interesse romântico do protagonista, de quem ao longo do tempo torna-se amigo, mas também desperta um bom mistério platônico.

 

Cada qual com seus dramas pessoais, traumas, infelicidades e as próprias jornadas para descobrir, na vida, quem são e o que querem ser, ao longo dos oito episódios, o equivalente a um semestre de aula, essas relações são trabalhadas com maturidade pelo roteiro, que se aproveita dos lapsos temporais para amadurecer os sentimentos dos personagens. O próprio Benny, por exemplo, e sua relação com Carmen, vivida por Wally Baran, se altera constantemente, de modo que verdades e mentiras (ou meias-verdades), propositais ou não, dizem muito sobre si mesmos, e o momento em que vivem.

 

A narrativa, da maneira como arquitetada, na forma de grandes ciclos, que se completam e já emendam uns nos outros, não deixa nada tornar-se em vão e aproveita de cada minuto disponível para explorar uma faceta dos que estão em tela – o episódio 7, inclusive, define muito bem essa ideia, com a folga da universidade para o Dia de Ação de Graças na casa dos pais, onde temos mais oportunidades para conhecer Grace e o próprio passado de Benny. Mas ainda para além disso, esses ciclos, na forma de um gancho, têm seu grande destaque no episódio final, destinado a subverter expectativas e readaptar o tabuleiro que se formava, em mudanças completas para uma segunda temporada possivelmente ainda mais intensa.

 

A direção, dividida entre Desiree Akhavan e Daniel Gray Longino, entende do estilo de comédia a que se remete Muito Esforçado, e na proposta subversiva sob um olhar do presente, não só brinca com um humor físico como também é repleto de piadas sexuais, e as utiliza de forma a provocar e incomodar o protagonista, a partir de personagens a quem considera inconvenientes e até tóxicos (como os homens da sociedade secreta, incluindo Peter), o incentivando a cada vez mais escolher pelo caminho do seu verdadeiro “eu”. O mais interessante é que, mesmo para esses personagens, que por vezes atuam como antagonistas, a série ainda busca por um fundo de humanização em suas questões pessoais, condenando, por outro lado, suas atitudes, mas mantendo uma esperança de que, um dia, talvez possam ser diferentes.

 

Ainda que adie por completo a explosão do conflito para uma segunda temporada, sem ao menos dar um gostinho desse início de caos e transformação ao protagonista, Muito Esforçado serve como uma resposta queer às próprias referências conservadoras. Mesmo assim, ao invés de cuspir no prato que come, como tantas obras eventualmente fazem ao traçar esse paralelo com o passado, a série compreende suas inspirações como produto do próprio tempo, e brinca com um senso de humor irreverente e adulto no mesmo tom, mas agora com um ar progressista, nessa divertida jornada do protagonista em “sair do armário” e dar voz a própria sexualidade, seguindo o coração. Já ansioso pela próxima temporada.

 

Avaliação: 4/5

 

Muito Esforçado – 1ª Temporada, 2025 (Overcompensating, 2025)

Criação: Benito Skinner

Gênero: Comédia, Romance, Drama

Origem: EUA

Duração: 8 episódios - 35 minutos em média cada episódio

Disponível: Prime Video

 

Sinopse: Benny acaba de chegar à faculdade. Nascido e criado em uma cidade nos subúrbios dos EUA, na escola fora um grande jogador de futebol americano e rei do baile de formatura – mas esconde um grande segredo: por trás da aparência de hetero, Benny é gay, e agora está entre a cruz e a espada, para saber se assume ou mantém a fantasia. Em seu primeiro dia, fica amigo de Carmen, uma garota que quer se encaixar a qualquer custo.

 
 
 

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