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CRÍTICA | Dupla Perigosa, de Angel Manuel Soto (The Wrecking Crew, 2026)

  • Foto do escritor: Henrique Debski
    Henrique Debski
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Dupla Perigosa é apenas mais uma comédia de ação genérica feita para o streaming, mas diverte com o carisma dos atores protagonistas.


 

Sabe aquele filme que mistura ação e comédia, com uma dupla protagonista, no formato “buddy cop”, conduzindo uma investigação que acaba por chegar em um buraco mais profundo do que o esperado, esbarrando em pessoas poderosas? Eu sei, você pode pensar em uma infinidade de filmes com essa mesma e literal premissa, mais comum do que podemos imaginar. É exatamente sobre ela que Dupla Perigosa se constrói, como, inegavelmente, uma comédia de ação genérica produzida como adição de catálogo para um serviço de streaming.

 

O roteirista Jonathan Tropper não teme ancorar-se sobre as bases mais sólidas e consolidadas do formato no qual inspira seu texto. Não seria a primeira vez que faz isto, visto que seu último longa, O Projeto Adam, encontra uma originalidade na premissa, que dura até a segunda página, quando se desenvolve como uma comédia familiar de ação e ficção-científica com todos os elementos mais batidos do cinema norte-americano dos anos noventa, usando-se da nostalgia como desculpa para ausência de inventividade, ainda que o filme seja, pelo menos, divertido.

 

Aqui, nem essa muleta argumentativa existe – toda a sequência de eventos e posição dos elementos sobre o tabuleiro narrativo são bastante claros e objetivos desde o princípio aos mais atentos e acostumados com filmes do tipo. São muito claras as ligações entre fatos que ensejam a conspiração, ainda que nem sempre seja facilmente possível estabelecer como uma coisa liga à outra antes de determinadas cenas, onde a resposta se torna mais evidente. Talvez, tentando evitar soar óbvio demais, o roteirista insira elementos a mais, em uma tentativa de tornar o universo da obra mais robusto, o que, a partir de determinado ponto, torna-se também um empecilho, ao serem praticamente ignorados – como a influência das organizações criminosas sobre a ilha, algo que nunca fica devidamente estabelecido, ou que sequer faz diferença, afinal.

 

Onde Dupla Perigosa, então, encontra sua força motriz é na dupla de protagonistas – não nos personagens, igualmente genéricos, a quem pouco conhecemos, senão por uma mínima definição, facilmente resumível a algumas curtas linhas em uma folha de papel, mas em razão de seus intérpretes, Dave Bautista e Jason Momoa.

 

Ainda que meramente interpretando os estereótipos de “caras durões” que os consolidaram em Hollywood, a direção de Angel Manuel Soto consegue extrair das personalidades antagônicas dos personagens – um sério, muito correto e metódico (Bautista), e o outro irônico, impulsivo e provocador (Momoa) – um meio de os transformar em uma equipe improvável. Some a isto o fato de, na trama, interpretarem irmãos distantes, em reconciliação com as vidas em família, que, apesar da superficialidade, torna essa (re)união um tanto mais interessante.

 

No decorrer das investigações e dos acontecimentos, a ação, quando voltada ao corpo a corpo, funciona muito bem pelo capricho nas coreografias, no impacto dos golpes, e na criatividade do diretor em brincar com a violência, cujo aspecto gráfico ao menos permite sair do mais do mesmo. O problema surge quando se envolve sequencias maiores, como na cena na ponte, que estampa o principal cartaz do longa. A má qualidade dos efeitos, somada ao excesso de tela verde, causa estranhamento pela artificialidade, que se contrapõe à boa qualidade dos momentos em interiores. Os bonecos digitais lutando e se agarrando, tal como os veículos capotando e o helicóptero circulando, sofrem com o imenso contraste em relação aos protagonistas dentro da minivan, por exemplo, o que tira parte da organicidade da obra em seus momentos fundamentais.

 

Ainda assim, em sua infinita obviedade, Dupla Perigosa funciona pelos protagonistas, e o timing cômico, na maior parte das vezes, certeiro, ainda que envolta em uma narrativa das mais genéricas. Como um filme de ação para o streaming, serve pelo descompromisso, carisma do elenco, e especialmente as boas piadas, em sequências de ação que variam entre o excesso de CGI e a naturalidade de coreografias bem pensadas, mesmo que faltem momentos memoráveis, ainda mais de Bautista e Momoa lutando lado a lado.

 

Avaliação: 3/5

 

Dupla Perigosa (The Wrecking Crew, 2026)

Direção: Angel Manuel Soto

Roteiro: Jonathan Tropper

Gênero: Ação, Comédia

Origem: EUA, Nova Zelândia

Duração: 124 minutos (2h04)

Disponível: Prime Video

 

Sinopse: Dois meios-irmãos que não se falavam há muito, Jonny e James, se reencontram após a morte misteriosa do pai deles. Ao buscarem a verdade, desvendam segredos de uma conspiração que pode destruir a família.

 
 
 

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