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CRÍTICA | F1: O Filme, 2025 (F1: The Movie, 2025)

  • Foto do escritor: Henrique Debski
    Henrique Debski
  • 1 de jul. de 2025
  • 4 min de leitura

Em F1: O Filme, Joseph Kosinski reaproveita da fórmula bem-sucedida de Top Gun: Maverick, e deixa o espectador na ponta da poltrona com corridas alucinantes.



Verdade seja dita, corrida e automobilismo não é bem a minha praia, apesar de, de vez em quando, eu acabar, por alguma razão, embarcando em um ou outro filme com a temática, ou quem sabe acompanhando uma corrida com meu pai. Nesse sentido, confesso que, em toda a vastidão do universo de pensamentos, jamais imaginei ser possível o lançamento de uma ficção baseada em Fórmula 1 e intitulada F1: O Filme. Um documentário é fácil de imaginar, mas como poderia uma narrativa ficcional com esse título fugir de um drama histórico, por exemplo?

 

A resposta não é tão difícil quanto parece. Basta o nome Joseph Kosinski (responsável, há três anos, por Top Gun: Maverick) e sua experiência com épicos de ação que logo tudo se encaixa.

 

Sua escolha como responsável pela condução do projeto, da produção, roteiro e até a direção, ainda mais depois de seu último sucesso, parece ser justamente o trunfo que faz de F1: O Filme uma obra que, ao mesmo tempo tão convencional, funciona com tamanha personalidade em se tratando do impacto visual e imersão do espectador no universo que constrói.

 

Por um lado, a clássica narrativa de superação e amadurecimento, ainda que tardio, se faz presente no arco do protagonista vivido por Brad Pitt, enquanto um promissor ex-piloto de Fórmula 1 que se afastara das corridas após um acidente quando jovem, retorna trinta anos mais tarde à “categoria” para ajudar a decadente equipe de um amigo a se reerguer. Nesse aspecto, não surpreende que Kosinski, enxergando uma oportunidade de fórmula perfeita, apenas readaptou, junto de Ehren Kruger, o roteiro de Maverick, trocando a temática da aeronáutica pelo universo das corridas profissionais.

 

Quase todos os elementos do outro longa se fazem presentes neste, do protagonista que não aceita receber ordens e age com impulsividade diante do perigo; o interesse romântico antiético do ponto de vista profissional; até “rivalidade” com um colega de equipe mais jovem, com direito a aproximação e aprendizados valiosos ao longo do tempo, sobretudo no trabalho em conjunto.

 

Apesar do elemento fictício da história sendo contada, a proposta de Kosinski gira em torno de uma experiência realista de Fórmula 1, como se o espectador não apenas assistisse aos eventos retratados, mas deles participasse, desde a discussão das estratégias, os dramas pessoais dos personagens, seus medos, arrependimentos, pensamentos, filosofias de vida, e, especialmente, da experiência das corridas de fato.

 

Usando-se do mesmo estilo de decupagem que utilizara em Maverick, o diretor foca no interior dos carros para captar as reações dos personagens. A imagem e o som, a cada corrida, ficam preenchidas pelo ambiente do autódromo, como se nele estivéssemos, em uma grande preocupação do longa em nos deixar a par de cada acontecimento. Em tela, planos de estabelecimento, marcações de tempo e mapas com o circuito e os demais competidores nos permitem compreender em que lugar estão os personagens na competição. Da mesma forma, os bastidores da corrida, incluindo os pilotos e a equipe, se manifestam por meio do som, em uma combinação que estabelece, habilmente, os desafios que tem a enfrentar, juntos, potencializados pelas opiniões divergentes e a rápida necessidade da tomada de decisão durante a corrida.

 

Durante boa parte desse tempo, nos momentos de ação, pouco há espaço para respirarmos, enquanto tudo acontece com demasiada rapidez, sob uma trilha original composta na medida por Hans Zimmer, e canções que nos auxiliam a entrar no embalo do momento e da ansiedade, junto da montagem que equilibra todos esses elementos elencados com precisão ao ponto de em momento algum nos perdermos nos acontecimentos.

 

Até mesmo o “product placement” (mais conhecido como “propaganda”) encontra uma forma de não parecer apelativo, ou artificial, como acontece na maioria das vezes. Ao contrário, é aproveitado como forma de adicionar uma camada de realismo a obra, e colocar o pé no chão com a aparição dos pilotos, por exemplo, anunciando produtos e marcas reais.

 

No entanto, esse excesso de realismo acaba ultrapassando um limite no ato final – mais especificamente na última corrida -, que, apesar de não influenciar de fato, diminui consideravelmente a tensão dos momentos decisivos. Trata-se da participação do piloto Lewis Hamilton na narrativa, o qual possui certo destaque pela câmera nesse momento final ao figurar como um dos competidores da corrida. Certo é que o longa possivelmente precisava dar algum destaque a sua persona, já que assina como produtor, mas ao coloca-lo como ameaça direta aos personagens, diminui-se a tensão por simples razões referentes à sua imagem. Logicamente o piloto não tomaria qualquer medida antiética ou com violência em relação aos personagens ou qualquer outro adversário, e menos ainda a obra o faria sofrer um acidente, por exemplo. Esse grau de previsibilidade, acrescido certamente por questões contratuais, somado ao natural grau de previsibilidade já comum a um filme norte-americano do tipo tira e esvazia, de certa maneira, o impacto de momentos que poderiam – e deveriam – ser ainda mais intensos, até em se tratando do desfecho de um longa com mais de duas horas de duração.

 

Talvez esse detalhe final de F1: O Filme, excessivamente realista, acabe impedindo, nos últimos momentos, da ficção reinar por completo nessa grande e importante corrida, como acontece em todo o restante da obra. Mas também de maneira alguma compromete de fato um filme que, habilmente, consegue deixar o espectador na ponta da poltrona, reaproveitando da fórmula bem-sucedida de Top Gun: Maverick em um contexto diferente, com um Brad Pitt carismático, e Javier Bardem roubando a cena.

 

Avaliação: 4/5

 

F1: O Filme (F1: The Movie, 2025)

Direção: Joseph Kosinski

Roteiro: Joseph Kosinski, Ehren Kruger

Gênero: Drama, Ação

Origem: EUA

Duração: 155 minutos (2h35)

Disponível: Cinemas

 

Sinopse: Na década de 1990, Sonny Hayes era o piloto mais promissor da Fórmula 1 até que um acidente na pista quase encerrou sua carreira. Trinta anos depois, o um amigo, proprietário de uma equipe de Fórmula 1 em dificuldades convence Sonny a voltar a correr e se tornar o melhor do mundo. (Fonte: Google - Adaptado)

6 comentários


lin strong
lin strong
13 de out. de 2025

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lin strong
lin strong
13 de out. de 2025

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lin strong
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13 de out. de 2025

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lin strong
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13 de out. de 2025

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lin strong
lin strong
13 de out. de 2025

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