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CRÍTICA | Salão de Baile, de Juru e Vitã (Idem, 2024)

  • Foto do escritor: Henrique Debski
    Henrique Debski
  • 5 de dez. de 2024
  • 3 min de leitura

Como integrantes do movimento ballroom, as diretoras Juru e Vitã abrem a própria realidade e exploram um vasto universo no excelente Salão de Baile.



Desde o seu lançamento no início do ano, no CPH:DOX (Festival Internacional de Documentários de Copenhagen), só ouvi elogios de Salão de Baile. Já tinha o colocado na minha lista de filmes para ficar de olho, e o ano se passou, comigo tendo três oportunidades de assisti-lo em festivais (Olhar de Cinema, Mostra de SP e Mix Brasil), todas frustradas por dificuldades de encaixá-lo na agenda ou pela minha própria falta de tempo, frente as demais obrigações da vida adulta.

 

Agora próximo de sua data de lançamento nos cinemas brasileiros, finalmente consegui assistir ao filme, e fiquei genuinamente surpreso com a vastidão e a complexidade do movimento Ballroom na capital carioca e região metropolitana.

 

Partindo do pressuposto de que poucos conhecem e são familiares ao movimento – como é o meu caso -, a dupla de diretoras Juru e Vitã estruturam seu documentário a partir de uma veia bastante didática para explorar as origens do Ballroom nos Estados Unidos, através de seu contexto histórico de nascimento e o que representa às pessoas que dele fazem parte. Essa base histórica, que nos remete a uma Nova York do final dos anos 1960, é articulada pelas cineastas de maneira intercalada, durante o primeiro terço, com a importação do movimento às terras cariocas, já na última década, estabelecendo a relação passado-presente como fundamental para que seja possível compreender aquele microcosmo.

 

Quando superada a questão histórica, muito bem encenada com ilustrações teatrais, o filme se aprofunda de vez na realidade do Ballroom, deixando claro desde cedo que vai muito além de um mero movimento de expressão artística, mas de um estilo de vida composto por comunidades de apoio mútuo, às semelhanças e diferenças de seus membros.

 

As entrevistas não assumem um caráter rígido, quando tudo aquilo que é falado é, pelo outro lado, mostrado, com a organização de um baile idealizado pelas realizadoras do filme, justamente com o propósito de filmar aquilo que acontece, e como acontece, e a partir disso se debruçar no funcionamento dos bailes e das próprias comunidades, divididas em “casas”, e com a participação de pessoas isoladas, que apenas frequentam sem exatamente um vínculo.

 

As formas de dança e de expressão das pessoas que participam dos bailes, competindo nas mais diversas categorias, e estão imersas nessa realidade é explorada com um misto de ensinamento e exaltação por parte das diretoras, que integrantes, conhecem de perto o que retratam, e se esforçam ao máximo para dar voz ao maior número de pessoas possíveis para uma construção mais abrangente e verdadeira sobre o que o Ballroom, no Brasil, significa.

 

Inclusive, nessa proposta aberta e de muita honestidade, não se poupam também as críticas, por parte dos depoimentos, e a demonstração da existência de problemas, na forma da exclusão e do atrito entre algumas casas, e nos métodos que utilizam para solucionar conflitos, desde o diálogo até mesmo o uso do próprio corpo, através da dança, para o debate e mediação.

 

É isso que faz de Salão de Baile um filme ímpar. Conduzido por diretoras que fazem parte do movimento e conhecem a comunidade, o olhar que temos do Ballroom no Brasil, através do filme, é interno. Assim, é com certo aconchego que podemos nos aproximar daquilo que as pessoas retratadas verdadeiramente são, sentem e sobretudo, vivem, o que torna essa imersão de 90 minutos algo muito mais profundo do que uma mera visão superficial do tema trabalhado, com inventividade e, sobretudo, muita personalidade.

 

Avaliação: 4/5

 

Salão de Baile – This is Balroom (Idem, 2024)

Direção: Juru e Vitã

Roteiro: Juru e Vitã

Gênero: Documentário

Origem: Brasil

Duração: 94 minutos (1h34)

Disponível: Cinemas (via Retrato Filmes)

 

Sinopse: Nas margens da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, uma comunidade de jovens LGBTQIAPN+ resgata e vivencia a cultura ballroom. Rio is burning! (Fonte: Retrato Filmes / Sinny Comunicação)

 
 
 

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