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CRÍTICA | The Moon: Sobrevivente, de Kim Yong-hwa (Deo Mun / The Moon, 2023)

  • Foto do escritor: Henrique Debski
    Henrique Debski
  • 17 de jan. de 2025
  • 3 min de leitura

The Moon surpreende por seus belos efeitos visuais, mas cansa ao repetir ideias de tantos outros filmes, sem encontrar algo para chamar de seu.


 

Existem filmes que nos fazem refletir: até onde vai a criatividade de uma pessoa para criar histórias novas? Abelardo Barbosa, o Chacrinha, já dizia que na televisão “nada se cria, tudo se copia” – e para o cinema também é válido. Ao invés de abrir asas para narrativas diferentes, temos visto recentemente uma infinidade de refilmagens, readaptações, continuações e derivados.

 

O caso de The Moon – Sobrevivente se aproxima desses, já que é inegável uma falta de criatividade por parte de Kim Yong-hwa em escrever um roteiro que busque por algo original envolvendo uma expedição à lua. Pois apesar de algumas boas ideias aqui e acolá, trata-se de um filme que se ancora nas bases de tantos outros que abordam viagens espaciais com um viés de realismo.

 

Em seus primeiros minutos, até podemos sentir uma tentativa de subverter ideias relacionadas à corrida espacial, ao situar sua narrativa na Coreia do Sul de alguns anos no futuro, uma potência econômica que tenta se equiparar às demais, com uma arriscada missão rumo à lua. Entretanto, a sombra de um fracasso anterior ainda paira sobre os sul-coreanos, depois de uma tentativa catastrófica, anos antes, ser responsável pela morte de três astronautas, e jogar aos ares milhões de dólares em investimento estrangeiro, que agora se recusa a financiar um novo projeto.

 

A direção, também assinada por Kim Yong-hwa, demonstra uma boa habilidade, até certo ponto, em trabalhar com a atmosfera espacial, enquanto se utiliza da câmera para tentar imergir seu espectador através da gravidade zero, em um passeio inicial interessante pela nave espacial, e por fora dela, onde dois de seus três tripulantes dessa nova jornada se encontram fazendo reparos. Mas não demora muito para o clima de tranquilidade ser interrompido por um violento acidente, que faz com que o protagonista fique sozinho, a deriva, e precise completar a missão e retornar para casa.

 

A atenção aos detalhes impressiona nessa virada narrativa, que torna a liberdade de movimentação do espaço, e a ausência de gravidade, em um grande pesadelo num piscar de olhos, nas explosões barulhentas e mesmo nos efeitos da falta de oxigênio para um dos personagens. A imensidão do universo agora se reforça sob a perspectiva do vazio, e sobretudo, da solidão.

 

Acontece que, estabelecida essa situação, The Moon se mostra incapaz de trabalha-la de maneiras originais, senão a misturando com tantas outras já vistas em outros longas, mais concentrados em uma única proposta. Nessa tentativa de misturar ideias, sentimos a influência de 2001, Gravidade, Perdido em Marte, Interestelar e Ad Astra, mas ficamos diante de uma obra anêmica, que não parece encontrar algo único, para chamar de seu, senão tentar, sem sucesso, repetir os feitos de sucesso das citadas.

 

Se ao menos se resumisse a uma reunião de ideias, com uma duração razoável e logo se resolvesse, ainda poderia ser pelo menos divertido. Mas, além da falta de originalidade, o longa, que se estende por aproximados 130 minutos, é recheado com subtramas dramáticas buscando por uma conexão mais profunda e emocional entre o centro de comando na Terra e o astronauta preso à nave. Isso abre portas para que o roteiro explore essa relação com uma quantidade exaustiva de diálogos expositivos e flashbacks, sempre interrompendo a missão de sobrevivência, o que realmente interessa, para desenvolver algo que não nos importa – e que também não esforça para isso.

 

Assim, quanto mais próximo do final, mais exaustos estamos em acompanhar todo aquele emaranhado de relações e personagens que, pouco a pouco, vão perdendo a relevância, e aquela emoção de sobrevivência vai sendo esquecida enquanto ansiamos pelo fim, que demora a chegar. E nisso, em meio a longa duração e a montagem que perde o ritmo, o bom trabalho de Do Kyung-soo como protagonista; o capricho nos efeitos visuais, realmente bonitos; e até algumas ideias interessantes, como a contestação à supremacia norte-americana em matéria espacial e a autoridade da própria Nasa, na forma de uma desafio, acabam esquecidas, ficando na mente a memória de um filme cansativo, e que poderia ser mais, se enxergasse o próprio potencial e a ele abraçasse, sem tentar repetir o que outros já fizeram.

 

Avaliação: 2/5

 

The Moon: Sobrevivente (Deo Mun / The Moon, 2023)

Direção: Kim Yong-hwa

Roteiro: Kim Yong-hwa

Gênero: Thriller, Ação, Ficção Científica

Origem: Coreia do Sul

Duração: 129 minutos (2h09)

Disponível: Cinemas (via Sato Company)

 

Sinopse: Um astronauta fica preso, isolado no espaço, devido a um acidente com sua nave. Enquanto isso, na Terra, um homem faz tudo o que está ao seu alcance para trazer o astronauta de volta em segurança. (Fonte: Sato Company/Sinny Comunicação - Adaptado)

 
 
 

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