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XXI FANTASPOA | Fucktoys, de Annapurna Sriram (Idem, 2025)
Fucktoys discute o valor e a invisibilidade das pessoas na sociedade, em uma narrativa transgressora e provocativa que evoca e mantém vivo o estilo de John Waters dos anos 1970. O primeiro filme da atriz norte-americana Annapurna Sriram enquanto roteirista e diretora revela uma cineasta que conhece muito bem de suas inspirações, e, mais ainda, o domínio de um olhar cinematográfico para o que deseja contar com uma inventividade de poucos, ainda mais diante do evidente baixo-or

Henrique Debski
21 de abr. de 20253 min de leitura


30º É TUDO VERDADE | Trens, de Maciej J. Drygas (Pociągi, 2025)
Maciej J. Drygas, em Trens , usa das locomotivas para falar da humanidade, e mostrar o como, em um século, não evoluímos enquanto sociedade. Trens é como uma viagem pela História da Europa durante a primeira metade do século XX. A partir de imagens de arquivo, acompanhamos o nascimento dos trens em uma época de modernizações constantes, enquanto, ao longo de décadas, tem suas funções acrescidas, modificadas e alteradas diante das necessidades dos Estados e da humanidade, ne

Henrique Debski
17 de abr. de 20253 min de leitura


30º É TUDO VERDADE | Reconhecidos, de Fernanda Amim e Micael Hocherman (Idem, 2025)
Desorganizado, o documentário Reconhecidos , mesmo sem intenção, acaba sendo tão temerário ao debate quanto é o reconhecimento fotográfico aos acusados. O reconhecimento de pessoas, quando não respeitado o procedimento descrito pelo Código de Processo Penal, deve ser invalidado e não é considerado como prova apta para a condenação do réu, conforme entendimento recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento no final de 2024. O reconhecimento fotográfico, por muit

Henrique Debski
16 de abr. de 20253 min de leitura


30º É TUDO VERDADE | Hora do Recreio, de Lúcia Murat (Idem, 2025)
Em Hora do Recreio , Lucia Murat tem ótimas ideias e a intenção de trabalhar com temáticas relevantes, mas sem uma delimitação, nada sai da superfície. Quando nos propomos a escrever e desenvolver uma tese, seja um artigo científico, um trabalho de conclusão de curso, uma monografia, uma reportagem, dissertação de mestrado ou mesmo uma crítica de cinema, a delimitação do tema é uma etapa fundamental do processo – nunca me esqueço o quanto a professora-coordenadora de pesquisa

Henrique Debski
14 de abr. de 20254 min de leitura


30º É TUDO VERDADE | A Invasão, de Sergei Loznitsa (The Invasion, 2025)
Em A Invasão , Sergei Loznitsa não apela à propaganda, mas tão somente à exploração das rotinas na Ucrânia durante o conflito. Entre tantos filmes, especialmente documentários, já lançados desde a eclosão da guerra na Ucrânia, o que mais temos encontrado são obras que, no fundo, buscam por um efeito propaganda sobre o conflito, sob uma demonstração da dor e sofrimento ucraniano frente à invasão russa no território, como forma de buscar por apoio e visibilidade internacional

Henrique Debski
11 de abr. de 20253 min de leitura


9º OVERLOOK FILM FESTIVAL | Dead Lover, de Grace Glowicki (Idem, 2025)
Sob uma estética teatral formalista e o humor surreal, Dead Lover brinca com Frankenstein através de novas perspectivas sociais. Entrar para Dead Lover sem saber absolutamente nada sobre o filme é como mergulhar nas profundezas da loucura. Inspirando-se na obra clássica de Mary Shelley, Grace Glowicki, usando-se de uma estética puramente teatral, constrói seu universo na base de um romance experimental, com inúmeros personagens interpretados, essencialmente, por apenas quatro

Henrique Debski
10 de abr. de 20253 min de leitura


30º É TUDO VERDADE | Meus Fantasmas Armênios, de Tamara Stepanyan (Mes Fantômes Arméniens, 2025)
Tamara Stepanyan faz de Meus Fantasmas Armênios um atributo ao pai, sua maior inspiração, em meio a um proibitivo histórico do cinema armênio. Em geral, creio não há como conhecer melhor da cultura de um país senão com alguém que nele nasceu e cresceu. Em matéria de cinema, Tamara Stepanyan parece ser a pessoa mais apropriada para falar sobre seu país natal, a Armênia, enquanto praticamente toda sua família, pais e avós, de alguma forma se relacionaram à importância e desenvo

Henrique Debski
9 de abr. de 20253 min de leitura


9º OVERLOOK FILM FESTIVAL | Best Wishes to All, de Yûta Shimotsu (Mina Ni Sachi Are, 2025)
Em Best Wishes to All , Yûta Shimotsu provoca o espectador através de planos longos, uma câmera inerte e conflitos morais que colocam em xeque as heranças familiares em sociedades conservadoras. Toda a construção inicial de Best Wishes to All nos faz pensar estarmos diante de mais um filme de terror que trilhará por caminhos óbvios, naquela mesma reunião de ideias batidas envolvendo o retorno da protagonista à casa dos avós, em uma região rural do Japão, onde, quando crianç

Henrique Debski
7 de abr. de 20253 min de leitura


9º OVERLOOK FILM FESTIVAL | The Spirit of Halloweentown, de Brett Whitcomb e Bradford Thomason (Idem, 2025)
The Spirit of Halloweentown sugere trabalhar o legado de St. Helens, mas no fundo apenas se interessa em promover o comércio local. Antes de tomar conhecimento deste documentário, admito que não conhecia o filme Halloweentown , uma produção televisiva lançada pela Disney direto em seu canal de TV fechada no final dos anos 90. E quando peguei a obra para assisti-la, um sentimento nostálgico me atravessou, como se eu tivesse retornado aos meus anos de criança. Ainda que eu só t

Henrique Debski
6 de abr. de 20253 min de leitura


30º É TUDO VERDADE | Sobre um Herói, de Piotr Winiewicz (About a Hero, 2025)
Piotr Winiewicz, em Sobre um Herói , conduz uma investigação prática e metalinguística sobre a possibilidade da inteligência artificial substituir os seres humanos no fazer da arte. Para a coletiva de imprensa e anúncio da seleção oficial do 30º Festival É Tudo Verdade, um dos maiores e mais respeitados festivais de documentários do mundo, creio que não poderia haver escolha melhor do que exibir uma obra como Sobre um Herói , e sua excelente linha inicial, “ boa sorte em conf

Henrique Debski
4 de abr. de 20254 min de leitura


13ª MOSTRA TIRADENTES SP | COMPILADO – “Cartografia das Ondas”, “A Vida Secreta dos Meus Três Homens” e “As Muitas Mortes de Antônio Parreiras”
Nesta publicação, o objetivo é trazer críticas em formato reduzido sobre esses três longas que assisti durante minha cobertura da 13ª Mostra Tiradentes | SP! Imagem do filme A Vida Secreta de Meus Três Homens . Cartografia das Ondas (Idem, 2025) Direção: Heloisa Machado Origem: Brasil Avaliação: 2.5/5 Mostra Aurora Cartografia das Ondas apresenta uma ideia interessante de misturar documentário com ficção, a partir de duas narrativas distintas que experimentam com a metalin

Henrique Debski
28 de mar. de 20253 min de leitura


13º MOSTRA TIRADENTES SP | Deuses da Peste, de Gabriela Luíza e Tiago Mata Machado (Idem, 2025)
Deuses da Peste , no contexto das eleições de 2022, explora o medo do futuro em filme experimental e sarcástico. Compreendendo um período recente em que a arte deixou de ser uma das prioridades do governo brasileiro – e verdade seja dita, chegou a ser desvalorizada enquanto cultura como um todo -, a dupla de cineastas Gabriela Luíza e Tiago Mata Machado materializou, através de Deuses da Peste , suas preocupações para com o futuro do Brasil nas eleições presidenciais de 202

Henrique Debski
25 de mar. de 20253 min de leitura


13º MOSTRA TIRADENTES SP | Prédio Vazio, de Rodrigo Aragão (Idem, 2025)
O Prédio Vazio de Rodrigo Aragão dá continuidade ao seu universo no espaço urbano, retrabalhando as inspirações com originalidade em prol de algo novo. Dentro de um cinema brasileiro de terror bastante autoral, Rodrigo Aragão, em seu sétimo longa-metragem, se mostra disposto a buscar por novos rumos em Prédio Vazio , quando, pela primeira vez no universo que constrói desde 2008, abandona os campos rurais para rumar à cidade, a partir da claustrofobia de um antigo prédio de ap

Henrique Debski
21 de mar. de 20254 min de leitura


48ª MOSTRA DE SP | Os Enforcados, de Fernando Coimbra (Idem, 2024)
Os Enforcados sedimenta a habilidade de Fernando Coimbra como diretor, através de um thriller criminal intenso e que provoca risadas – de diversão e de nervoso. Mais de dez anos depois de lançar o excelente thriller O Lobo Atrás da Porta , Fernando Coimbra retornou às terras brasileiras para dar vida a um projeto idealizado desde as filmagens do anterior. Trata-se novamente de um thriller criminal, mas que dessa vez abraça uma forma de comédia ácida e com tons mórbidos para

Henrique Debski
22 de nov. de 20244 min de leitura


48ª MOSTRA DE SP | O Brutalista, de Brady Corbet (The Brutalist, 2024)
Com um orçamento limitado, O Brutalista é grandioso no processo de desconstrução do estilo de vida americano. Após assistir a O Brutalista , na excelente sala do CineSesc durante a 48ª Mostra de SP, o meu primeiro sentimento foi de uma emocionante viagem ao passado. De fato, não posso negar a legitimidade da palavra “monumental”, colocada no pôster e atribuída à vários veículos diferentes, pois de fato foi uma experiência monumental, um épico sobre o nascimento do “ american

Henrique Debski
21 de nov. de 20244 min de leitura


48ª MOSTRA DE SP | O Clube das Mulheres de Negócios, de Anna Muylaert (Idem, 2024)
Anna Muylaert se arrisca em O Clube das Mulheres de Negócios , com uma comédia provocativa que retrata algumas faces do Brasil. Poucos minutos antes do início da sessão de O Clube das Mulheres de Negócios , a diretora e roteirista por trás do projeto, Anna Muylaert, deixou claro que este era seu filme mais “arriscado”. Diferente de seus longas anteriores, mais sensíveis, a intenção deste era de um teor provocativo, uma reimaginação dos anos e valores defendidos pelo governo B

Henrique Debski
19 de nov. de 20243 min de leitura


48ª MOSTRA DE SP | The Surfer, de Lorcan Finnegan (Idem, 2024)
Com The Surfer , Lorcan Finnegan explora a obsessão, através de uma narrativa sádica que se diverte torturando o protagonista de Nicolas Cage. Dentro do cinema de Lorcan Finnegan, The Surfer é mais um filme que explora a mente e os comportamentos humanos a partir de situações extremas que levam a loucura. Se outrora já falara sobre o pesadelo do sonho americano (em Vivarium , 2019); e também sobre a ganância (com Nocebo , 2022), agora foi a vez de tratar da obsessão. Na tra

Henrique Debski
15 de nov. de 20243 min de leitura


48ª MOSTRA DE SP | Barba Ensopada de Sangue, de Aly Muritiba (Idem, 2024)
Barba Ensopada de Sangue se segura na atmosfera de mistério e tensão, ainda que derrape na conexão entre o protagonista e o espectador. Logo nos primeiros momentos de Barba Ensopada de Sangue , já podemos sentir o tormento mental pelo qual passa o protagonista. São histórias de família que se mesclam em um sonho, surrealista, onde o personagem de Gabriel Leone afunda e praticamente se afoga em um mar repleto de imensas baleias. É porque isso está diretamente ligado à sua obse

Henrique Debski
12 de nov. de 20243 min de leitura


48ª MOSTRA DE SP | Maria Callas, de Palblo Larraín (Maria, 2024)
Pablo Larraín mistura ficção com traços biográficos ao explorar, através da fantasia, os últimos dias da vida de Maria Callas. Admito que tenho gostado muito dos trabalhos recentes de Pablo Larrain, no qual desenvolveu um formato bastante próprio de fixar um recorte temporal, e a partir dele explorar, através da ficção, alguns dias na pele de uma importante mulher da História. Assim já o fizera com Jackie Kennedy, em Jackie (2016), no processo de luto após a morte do marido;

Henrique Debski
11 de nov. de 20243 min de leitura


48ª MOSTRA DE SP | O Senhor dos Mortos, de David Cronenberg (The Shrouds, 2024)
The Shrouds mantém viva a fascinação de Cronenberg pela morte, mas não consegue amarrar seu desfecho diante de tantas ideias. O fato de The Shrouds se tratar de um projeto de série nunca levado adiante diz muito sobre sua estrutura longa, que nunca busca por respostas ou conclusões, mas por um ar de mistério constante, aos poucos notadamente mal resolvido em razão da duração. Originalmente, dois episódios foram escritos por Cronenberg e apresentados para a Netflix, cujos exec

Henrique Debski
8 de nov. de 20243 min de leitura
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