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XXII FANTASPOA | Cielo, de Alberto Schiamma (Idem, 2026)
Entre o drama de amadurecimento e o “road movie”, em Cielo Alberto Schiamma encanta pela sensibilidade de uma jornada dolorosa, vivida por uma criança em meio ao deserto boliviano. Estonteado o público pela beleza do cenário de um deserto boliviano, Alberto Schiamma já propõe uma provocação nos instantes iniciais, quando a protagonista, a garota Santa, de apenas oito anos de idade, engole, sozinha, e sem mastigar, um peixe vivo que retirou de um lago. Em uma breve exploração

Henrique Debski
há 23 horas6 min de leitura


XXII FANTASPOA | Body Blow, de Dean Francis (Idem, 2026)
Em um neo-noire queer, Dean Francis resgata a estética dos thrillers policiais e eróticos dos anos 1990, e faz de Body Blow uma volta ao passado sob o olhar do presente. Há algum tempo que venho sentindo falta dos thrillers policiais típicos dos anos 1990/2000, muitas vezes filmes de médio orçamento, boas cenas de ação, tensão sexual, mistério envolvente e cores vibrantes. O cinema contemporâneo, especialmente hollywoodiano, parece ter perdido a empolgação e a paixão desta ép

Henrique Debski
há 2 dias7 min de leitura


XXII FANTASPOA | Dead Eyes, de Richard E. Williams (Idem, 2026)
Dead Eyes se diferencia pela câmera em primeira pessoa, oferecendo uma experiência imersiva à mente de seu protagonista, enquanto lida, no presente, com as consequências de traumas familiares do passado. Na contramão de uma infinidade de filmes de terror parecidos, e cansado de obras genéricas com pessoas presas em florestas amaldiçoadas ou sendo perseguidas por criaturas assassinas, como já se fizera ao longo de tantos anos das mais variadas formas, Richard E. Williams teve

Henrique Debski
há 3 dias5 min de leitura


10º OVERLOOK FILM FESTIVAL | Suffocation, de Louis Chan e Stone Chang (晚窒息, 2026)
Com câmera na mão, em sucessivos planos-sequência, Suffocation teme assumir-se como um “found-footage”, se tornando um terror de maldição confuso – e pior, genérico. Nos primeiros minutos de Suffocation , os créditos iniciais aparecem em tela sob uma música instrumental suave, com uma adolescente nadando, e a câmera, estática, posicionada ao fundo da piscina. Assim se mantém durante alguns poucos minutos, até que a garota é fortemente puxada para dentro d’água, acompanhada

Henrique Debski
há 4 dias7 min de leitura


XXII FANTASPOA | Armageddon Road, de Karen Lam (Idem, 2026)
Armageddon Road sabe contornar as limitações orçamentárias experimentando com a própria linguagem, mas se perde em thriller lento, que fala mais do que resolve. No clima de um jogo de cartas em um quarto de hotel, Armageddon Road já exala a atmosfera dos anos 1970 desde seus primeiros instantes. O clima competitivo, com a câmera rodando entre os apostadores, explora um ambiente de homens endividados, sedentos por dinheiro, e devedores de montantes que provavelmente não serão

Henrique Debski
há 5 dias6 min de leitura


10º OVERLOOK FILM FESTIVAL | New Group, de Yûta Shimotsu (Idem, 2026)
Yûta Shimotsu faz de New Group uma metáfora para retratar o conformismo na sociedade, na qual a expressão individual é suprimida em prol do pensamento coletivo, e toda discordância é perseguida. O cinema de Yûta Shimotsu já me surpreendera na edição anterior do Overlook Film Festival, quando seu Best Wishes to All revelou-se um terror atmosférico muito perspicaz em sua abordagem crítica à sociedade japonesa a partir de conflitos morais, e uma desconstrução de heranças famil

Henrique Debski
há 6 dias7 min de leitura


10º OVERLOOK FILM FESTIVAL | COMPILADO: CURTAS - "Vlog Cam”, “Darkroom”, “Steak Dinner”, “Breeder”, “The Dysphoria”
Nesta publicação, o objetivo é trazer algumas críticas em formato reduzido sobre os curtas que assisti durante minha cobertura do festival! Cena de The Dysphoria . Vlog Cam (Idem, 2026) Direção: Danilo Rafael Parra Origem: EUA Duração: 9 minutos Avaliação: 3.5/5 No mundo hiper-conectado dos TikToks e redes sociais, nunca se sabe o que é verdade ou mentira. Tampouco se consegue identificar uma pessoa realmente precisando de ajuda, ou apenas mais uma pegadinha para vitalizar. A

Henrique Debski
há 6 dias5 min de leitura


XXII FANTASPOA | Compliance, de Kyle Mangione-Smith (Idem, 2026)
Consciente da controvérsia, Compliance propõe uma implosão da sociedade norte-americana a partir da manipulação digital, em filme realista cujo verdadeiro terror reside na possibilidade de o retrato ultrapassar a tela para o mundo concreto. Entre todo o cinema de terror, e a infinidade de subgêneros que se apresentam por debaixo deste guarda-chuva, creio que o "found-footage” é um dos mais interessantes, pela forma como possibilita uma experimentação, se nas mãos de cineastas

Henrique Debski
há 7 dias7 min de leitura


10º OVERLOOK FILM FESTIVAL | Parasomnia, de James Ross II (Idem, 2026)
Ancorado em pontos de vista, Parasomnia mescla possessão com passagens em found-footage para se aprofundar em traumas, em terror que convida o espectador a juntar as peças do mistério. Acredito que, quando em breve chegar ao circuito comercial norte-americano, com distribuição do streaming Shudder, a montagem de Parasomnia será o elemento de maior alvo das críticas direcionadas ao filme. Em tempos nos quais pessoas não conseguem mais ficar poucos minutos longe das telas dos

Henrique Debski
17 de abr.6 min de leitura


48º CINEMA DU RÉEL | London, de Sebastian Brameshuber (Idem, 2026)
London é um drama de realidade, no qual Sebastian Brameshuber mescla ficção e documentário em um retrato da Europa contemporânea. São 350km de distância entre Viena e Salzburg. Mais de três horas de viagem percorridas algumas vezes por semana por Bobby, um homem idoso, na casa dos 70 anos, que visita um amigo em coma no hospital. Ao longo do caminho, dá carona, via aplicativo, a pessoas que precisam - é uma forma de não apenas cobrir parte dos custos com manutenção do veícu

Henrique Debski
15 de abr.5 min de leitura


10º OVERLOOK FILM FESTIVAL | The Holy Boy, de Paolo Strippoli (La Valle Dei Sorrisi, 2026)
Ao transformar os poderes de um adolescente em válvula de escape para o luto, The Holy Boy trabalha a fé como uma droga para as dores que o ser humano não deseja enfrentar. Desde o seu surgimento, o cinema tanto é muito utilizado pelas religiões como instrumento para a disseminação de seus ideais, como também é muito utilizado para criticá-las. É um debate de ideias que se constrói a partir do trabalho narrativo orquestrado na relação de coexistência entre a imagem e o som,

Henrique Debski
14 de abr.8 min de leitura


48º CINEMA DU RÉEL | COMPILADO – “Blind Song” e “Another Earth”
Nesta publicação, o objetivo é trazer críticas em formato reduzido sobre esses filmes que assisti durante minha cobertura da 48º Cinema du Réel! Imagem de Blind Song . Blind Song (Um Chant Aveugle, 2026) Direção: Stefano Canapa e Natacha Muslera Origem: França Duração: 63 minutos Avaliação: 3/5 A partir do diálogo com uma musicista cega, a dupla de cineastas Stefano Canapa e Natacha Muslera nos levam a uma experiência sensorial pelas sensações da entrevistada. Entrecortand

Henrique Debski
13 de abr.4 min de leitura


10º OVERLOOK FILM FESTIVAL | Mārama, de Taratoa Stappard (Idem, 2026)
Mārama explora a discriminação do povo maori pelas mãos do colonizador, em terror sobre ancestralidade e vingança no seio familiar. Já nos primeiros instantes de Mārama , que chega aos cinemas norte-americanos no dia 17 de abril, senti-me, de alguma maneira, familiarizado ao longa. É que toda a introdução se baseia em ideias e uma proposta já muito amplamente explorada pelo cinema de terror, desde os tempos das primeiras adaptações de Drácula , baseadas na obra homônima de

Henrique Debski
12 de abr.7 min de leitura


48º CINEMA DU RÉEL | Levers, de Rhayne Vermette (Idem, 2026)
Como uma fantasia experimental, Levers questiona o cinema contemporâneo a partir de uma experiência sensorial, deixando o espectador à deriva de um universo no qual precisa montar e compreender o quebra-cabeças proposto. O “fazer cinema” é uma prática que, desde seu surgimento, no final do século XIX, se altera constantemente, nos diversos cantos do mundo, alinhado à sociedade local, aos recursos disponíveis, culturas, apreço, e outra enorme série de elementos. Com o passar

Henrique Debski
10 de abr.6 min de leitura


48º CINEMA DU RÉEL | Shot Reverse Shot, de Radu Jude e Adrian Cioflâncă (Plan Contraplan, 2026)
Radu Jude e Adrian Cioflâncă revisitam a Romênia da era Ceaușescu em duelo fotográfico, abordando uma visão aos olhos de um estrangeiro, e outra do Estado que o vigiava. Há dois anos, lembro-me de ter assistido no festival Olhar de Cinema, em Curitiba, o interessante documentário I'm Not Everything I Want to Be , de Klára Tasovská, inclusive selecionado como representante da República Checa no Oscar 2026. No filme, a fotógrafa checa Libuše Jarcovjáková revisita memórias do

Henrique Debski
3 de abr.5 min de leitura


48º CINEMA DU RÉEL | I Crossed the Desert with a Gun in Hand, de Laurence Garret (Idem, 2026)
A história de Daniel Torres poderia render um documentário poderoso, mas pelas mãos de Laurence Garret pouco se conta ou mostra, para além da sinopse e conversas aleatórias, com uma câmera desinteressada na luta do personagem retratado. Creio que seja a terceira vez, em menos de um ano, que conto sobre este conselho da professora Michele, quando, no meu segundo período da faculdade de Direito, ela falava sobre pesquisa acadêmica. Com a ressalva das naturais diferenças entre

Henrique Debski
28 de mar.7 min de leitura


CRÍTICA | Moscas, de Fernando Eimbcke (Idem, 2026)
Moscas aborda o luto e o seguir em frente a partir de uma amizade improvável, com sensibilidade em explorar seus personagens a partir do que fazem e sentem, e não necessariamente do que dizem. Moscas se inicia com um primeiro plano levemente colorido, mostrando uma mulher deitada na cama pela manhã, acordando atordoada pelo som de moscas que transitam ao seu redor. A partir do momento em que pega o primeiro objeto comprido disponível para acertar o inseto, que deixa uma mar

Henrique Debski
19 de mar.7 min de leitura


CRÍTICA | Yo (Love is a Rebellious Bird), de Anna Fitch e Banker White (Idem, 2026)
Usando o cinema como terapia e tributo a uma pessoa querida, em Yo (Love is a Rebellious Bird) Anna Fitch declama seu amor pela falecida amiga, experimentando com a linguagem documental, costurando registros e processando o próprio luto. Logo no primeiro plano de Yo (Love is a Rebellious Bird) a diretora Anna Fitch surpreende o espectador através de uma ilusão de ótica pela forma como constrói a imagem. Ao mostrar e caminhar lentamente pela sala de uma casa, mobiliada, sem

Henrique Debski
10 de mar.7 min de leitura


CRÍTICA | IAI, de Zenzo Sakai (遺愛, 2025)
Tratando o envelhecimento da matriarca como uma maldição familiar, IAI começa bem ao falar sobre a inversão da pirâmide social, mas vai se perdendo enquanto tenta tornar sua narrativa mais complexa. O primeiro plano de IAI ilustra o clima denso de um velório, do lado de fora da sala onde se encontra o caixão, em um cemitério. A partir de uma câmera estática, posicionada à distância, observam-se pessoas a entrar na sala a fim de prestar homenagens de despedida póstumas, e co

Henrique Debski
4 de mar.7 min de leitura


CRÍTICA | Blades of the Guardians, de Yuen Woo-Ping (Biao Ren, 2026)
Com vistas a criação de uma grande franquia, Blades of the Guardians sacrifica parte de sua narrativa e deixa aberturas para todos os lados, mas funciona enquanto um épico de ação wuxia pelas mãos do mestre Yuen Woo-Ping. Longe da direção de longas-metragens desde 2018, a notícia do retorno de Yuen Woo-Ping ao cinema de ação era animadora. Responsável por consagrar alguns dos melhores wuxia do cinema de Hong Kong nas décadas de 1970/80/90, ao lado de King Hu, Tsui Hark e a

Henrique Debski
23 de fev.8 min de leitura
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