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49ª MOSTRA DE SP | Águias da República, de Tarik Saleh (Eagles of the Republic, 2025)
Em Águias da República , Tarik Saleh usa da metalinguagem para explorar o uso do cinema como propaganda, em um Egito autocrático e religioso. Ainda que nascido em Estocolmo, na Suécia, toda a filmografia autoral do cineasta Tarik Saleh direciona o olhar do espectador ao Egito, país natal de seu pai, e com o qual guarda evidente carinho, apesar do regime fascista, e especialmente seu conservadorismo religioso, dos quais não poupa esforços, e palavras, para criticar, agora na

Henrique Debski
19 de nov. de 20254 min de leitura


IX MORCE-GO VERMELHO | Nico, de Salomón Reyes (Idem, 2025)
Em Nico, a abordagem do luto como temática central vem acompanhada de uma série de elementos mal desenvolvidos, em terror descompassado que parece o projeto de um filme inacabado. Tal como a morte costuma ser um elemento muito presente no cinema de terror, desde o primeiro filme do gênero, Le Manoir du Diable (1896), de George Méliès, recentemente sua abordagem muito tem-se voltado, também, ao aspecto do luto. Ainda que o fim da vida seja motivo de enorme temor para muitos

Henrique Debski
17 de nov. de 20254 min de leitura


49ª MOSTRA DE SP | Foi Apenas um Acidente, de Jafar Panahi (Yek Tasadef Sadeh, 2025)
Em Foi Apenas um Acidente , Jafar Panahi discute a banalidade do mal, e um sentimento de vingança contra o violento regime iraniano – vale a pena retribuir a dor na mesma moeda? Durante a conversa com o diretor Jafar Panahi após a primeira exibição de Foi Apenas um Acidente na 49ª Mostra de São Paulo, questionado sobre a possibilidade de um aspecto pessoal no longa, como de costume em sua filmografia, o cineasta negou ser o filme necessariamente sobre si. Entretanto, conhe

Henrique Debski
16 de nov. de 20254 min de leitura


49ª MOSTRA DE SP | Pai, Mãe, Irmã, Irmão, de Jim Jarmush (Father, Mother, Sister, Brother, 2025)
Em três histórias, Jim Jarmush extrai pouco de Pai, Mãe, Irmã, Irmão , preocupando-se mais com as relações formais entre elas, e propagandas de marcas famosas, do que realmente com aquilo que pretendem contar. A competitiva deste ano do Festival de Veneza foi tomada por polêmicas, fofocas e especulações. Enquanto A Voz de Hind Rajab conquistava as lágrimas e os aplausos do público, esperando-se que recebesse o prêmio máximo, boatos indicavam que discussões e até brigas ent

Henrique Debski
15 de nov. de 20254 min de leitura


49ª MOSTRA DE SP | Aurora 15, de José Eduardo Belmonte (Idem, 2025)
Filmado há uma década, Aurora 15 é um exercício de cinema de gênero confuso, pensado às pressas por uma equipe e elenco talentosos, que não salvam o projeto do esquecimento. Antes do início da sessão no CineSesc, na première do filme na 49ª Mostra de São Paulo, o elenco e equipe de Aurora 15 foi à frente da sala para uma rápida apresentação da obra. O renomado produtor brasileiro Rodrigo Teixeira tomou as rédeas da idealização do projeto, e dispôs-se a explicar suas origens

Henrique Debski
15 de nov. de 20253 min de leitura


49ª MOSTRA DE SP | A Incrível Eleanor, de Scarlett Johansson (Eleanor the Great, 2025)
Entre a valorização da fé judaica e a superação do luto, a estreia de Scarlett Johansson na direção não assume riscos e abraça a previsibilidade, mas encontra na atuação de June Squibb sua verdadeira alma. Um dos momentos mais sombrios da História, o Holocausto ainda hoje continua sendo a temática de muitas produções cinematográficas anualmente. Dentro desse recorte histórico da Segunda Guerra Mundial, já assistimos a diversas abordagens, desde as mais dramáticas, reconstit

Henrique Debski
14 de nov. de 20254 min de leitura


IX MORCE-GO VERMELHO | Alucina, de Javier Cutrona (Idem, 2025)
Utilizando-se da fantasia como forma de materializar a depressão, Alucina é um mergulho na mente de uma protagonista misteriosa, atormentada pelo passado, buscando cicatrizar as próprias feridas e compreender a si. Enquanto alguns filmes encaram o espectador como mera testemunha dos fatos narrados, os visualizando de fora e apenas dependendo das manifestações e reações dos personagens para compreendê-los, sem uma grande preocupação com seu envolvimento naquele universo, out

Henrique Debski
13 de nov. de 20254 min de leitura


49ª MOSTRA DE SP | Abaixo das Nuvens, de Gianfranco Rosi (Sotto le Nuvole, 2025)
Gianfranco Rosi filma bastante e constrói belas composições visuais, mas não deixa de tornar seu Abaixo das Nuvens um documentário inócuo sobre tudo e nada ao mesmo tempo. Já não é a primeira vez neste ano que conto esse detalhe peculiar de minha graduação em Direito. Na realidade, não é algo que se refere diretamente à área, mas guarda relação com o espaço acadêmico como um todo, e da mesma maneira que se escreve um projeto de pesquisa ou um artigo científico, vale também

Henrique Debski
12 de nov. de 20253 min de leitura


49ª MOSTRA DE SP | Atropia, de Hailey Gates (Idem, 2025)
Em ritmo de desconstrução, Atropia satiriza a cultura militarista norte-americana, e se aproveita da metalinguagem para rejeitar convenções hollywoodianas. " A guerra é uma forma de Deus ensinar geografia aos americanos " (atribuída à Mark Twain). A citação inicial de Atropia , apresentada em tela antes do longa começar, é excelente em definir, desde cedo, o rumo de sua crítica à sociedade norte-americana, bem como ao seu aspecto de contracultura, em uma proposta bem-suced

Henrique Debski
11 de nov. de 20254 min de leitura


IX MORCEGO VERMELHO | El Escuerzo, de Augusto Sinay (Idem, 2025)
El Escuerzo começa bem em sua abordagem histórica da Guerra do Paraguai, mas logo perde o brilho ao abraçar a fórmula do horror de maldição sem uma metáfora clara por detrás das ideias. O terror como forma de realizar abordagens históricas e críticas a fatos e momentos do passado é sempre uma possibilidade no mínimo fascinante que o gênero oferece, especialmente a fim de se esquivar das abordagens dramáticas tradicionais, que não necessariamente são ruins, mas podem apenas

Henrique Debski
10 de nov. de 20253 min de leitura


49ª MOSTRA DE SP | No Other Choice, de Park Chan-wook (Idem, 2025)
Alinhado a um cinema anticapitalista sul-coreano, Park Chan-Wook faz de No Other Choice uma mórbida e intensa comédia sobre o desemprego, e os sacrifícios para o reingresso no mercado de trabalho. Com uma estreia badalada na competitiva do Festival de Veneza deste ano, muito se esperava por certo reconhecimento ao novo trabalho de Park Chan-wook dentre as premiações. Entretanto, não foi o que aconteceu, e No Other Choice saiu literalmente com as mãos abanando. A decepção, p

Henrique Debski
9 de nov. de 20255 min de leitura


49ª MOSTRA DE SP | Amiga Silenciosa, de Ildikó Enyedi (Stille Freundin, 2025)
Em Amiga Silenciosa , Ildikó Enyedi intercala épocas distintas em um mesmo espaço para explorar as evoluções da sociedade, a partir de drama intimista e poético. Uma universidade em algum lugar da Alemanha torna-se o palco de uma jornada intimista através dos tempos. Passeando por seu campus, no início de 2020, um veterano cientista recém-chegado de Hong Kong conhece o local, andando entre seus jardins, admirando a beleza exuberante de suas altas árvores centenárias, de u

Henrique Debski
8 de nov. de 20254 min de leitura


49ª MOSTRA DE SP | Cyclone, de Flavia Castro (Idem, 2025)
Cyclone inspira-se na vida da dramaturga Maria de Lourdes Castro Pontes, e explora os desafios de uma mulher a frente de seu tempo em uma época em que viviam aprisionadas pela própria sociedade. Nem todos os dramas biográficos precisam necessariamente seguir à risca os fatos da realidade. Desde que bem estruturados, e esclarecendo desde o princípio a abordagem pretendida, de maneira livre em relação à história real, o céu torna-se o limite na condução da narrativa. Não que

Henrique Debski
7 de nov. de 20253 min de leitura


IX MORCE-GO VERMELHO | Retratos do Apocalipse, de Nicanor Loreti, Fabian Forte e Luca Castello (Retratos del Apocalipsis, 2025)
Com orçamento limitado, a antologia argentina Retratos do Apocalipse trabalha zumbis no seio das relações familiares, em quatro segmentos assinados tanto por cineastas veteranos quanto iniciantes em um exercício de horror competente. Os longas-metragem no formato de antologias geralmente costumam seguir por uma “regra geral”, na medida em que, segmentados, apresentam diferentes histórias compiladas por um eixo temático ou fio condutor, tratando-se, na verdade, de uma série

Henrique Debski
6 de nov. de 20255 min de leitura


49ª MOSTRA DE SP | Mirrors No. 3, de Christian Patzold (Idem, 2025)
Christian Patzold, em Mirrors No. 3 , explora o luto a partir de reflexos e projeções entre os personagens, numa fábula realista sobre a dor e o seguir adiante. A fila gigante na Cinemateca Brasileira que antecedia a sessão de Mirrors n. 3 foi uma enorme surpresa para quase todas as pessoas com quem conversei. Partindo de um pressuposto, talvez correto, de que Christian Patzold é um diretor um tanto nichado, bastante voltado ao interesse de uma parcela específica da comunid

Henrique Debski
5 de nov. de 20253 min de leitura


49ª MOSTRA DE SP | O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho (Idem, 2025)
O Agente Secreto continua o debate de Retratos Fantasmas sobre memória e registro, em thriller político que faz do anticlímax uma reviravolta imersiva. Ambientado em uma Recife do final dos anos 1970, desde os primeiros instantes de O Agente Secreto já nos é possível notar o estabelecimento de um diálogo profundo de Kleber Mendonça Filho com alguns dos temas que vem permeando seu cinema recente. Seu último longa, o documentário Retratos Fantasmas , discorreu, com e através

Henrique Debski
4 de nov. de 20255 min de leitura


49ª MOSTRA DE SP | Nouvelle Vague, de Richard Linklater (Idem, 2025)
Com Nouvelle Vague, Richard Linklater conta sobre a produção de Acossado e do nascimento de Jean-Luc Godard como diretor revolucionário, em drama que não capta o espírito do período que retrata. Em uma época na qual tem sido bastante comuns as “cartas de amor ao cinema” pelas mãos de diversos cineastas, usando da metalinguagem para contar sobre suas inspirações e paixões pela sétima arte através da própria , Richard Linklater explora sua paixão pelo cinema francês em Nouvelle

Henrique Debski
31 de out. de 20253 min de leitura


49ª MOSTRA DE SP | O Filho de Mil Homens, de Daniel Rezende (Idem, 2025)
Superando os desafios da adaptação, Daniel Rezende faz de O Filho de Mil Homens um drama fantástico sensível sobre empatia e a família que escolhemos. Muitos falavam, e ainda falam, sobre a complexidade da literatura de Valter Hugo Mãe, e a dificuldade que seria adaptar uma obra como O Filho de Mil Homens para as telas do cinema. O próprio idealizador do projeto, Daniel Rezende, comentou, antes o início da sessão na première do filme, na Cinemateca Brasileira, durante a 49

Henrique Debski
30 de out. de 20254 min de leitura


49ª MOSTRA DE SP | Nosso Herói, Balthazar, de Oscar Boyson (Our Hero, Balthazar, 2025)
Nosso Herói, Balthazar coloca em xeque o “heroísmo de redes sociais”, em uma sátira da sociedade norte-americana e aos problemas sistêmicos que não desejam solucionar. Desde seus primeiros minutos, Our Hero, Balthazar é plenamente transparente com o espectador no tocante à natureza de seu protagonista, e ao tom satírico que emprega à narrativa. Sob a paisagem do centro de Manhattan, em um apartamento gigante nos últimos andares de um dos prédios mais altos da cidade, o ado

Henrique Debski
29 de out. de 20254 min de leitura


49ª MOSTRA DE SP | Ruas da Glória, de Felipe Sholl (Idem, 2025)
Ruas da Glória propõe um olhar voltado à marginalização de uma comunidade, sem perceber que seu retrato apenas fortalece a posição que busca criticar. Os primeiros minutos de Ruas da Glória realmente pareciam muito promissores. Com a câmera voltada para o lado de fora da janela de um carro, acompanhamos a chegada do protagonista à cidade do Rio de Janeiro. Somos colocados em seu lugar, assistindo à paisagem urbana daquele local único, da nova realidade que passará a viver

Henrique Debski
28 de out. de 20254 min de leitura
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